Vinhos Verdes
Vinhos Verdes do Minho
No Guia em questão, prosseguia descrevendo as paisagens naquela época: “as uveiras são predominantes das bordaduras dos campos”, “as vinhas
são raras”. Já antes na obra referira as videiras que cobriam os caminhos, numa paisagem bucólica "como verdadeiros túneis de folhagem",
referindo-se ao que se chamava "Vindima de Uveiras Altas, latadas ou ramadas e à volta dos campos as uveiras de enforcado
à maneira romana".
Pode ser que, hoje em dia, aqui ou ali ainda se possa ver estas paisagens, em modelo de tamanho bem mais reduzido.
Vinhos Verdes © Ari Oliveira
O grande diferencial do vinho verde é, principalmente, a "forte personalidade das castas locais e as formas de cultivo das vinhas" [1]. Nesta região,
tradicionalmente, muitas videiras crescem trepadas nas árvores, nas bordas dos campos. Estes vinhos têm baixa coloração - amarelo
citrino claro, palha esverdeado - e teor alcólico médio.
Claro que nos dias atuais, estes episódios relevam do folclore, já que as vinhas ocupam-se vastas áreas das terras agrícolas do Minho, ao
lado de outras culturas tradicionais, como o milho e outros cereais, além da criação de animais (o famoso gado barrosão, porcos e galinhas,
para citar apenas os principais). Mas, o fato é que, durante décadas, o
vinho verde foi o vinho mais
representativo de todos os vinhos de Portugal.
Alvarinho, mais nobre das
castas brancas da
Vitis vinifera, é originária do Minho e da Galícia, onde é
chamada
Albariño. Apesar de haver produção de vinhos com a casta
Alvarinho em todo o Minho, atualmente, apenas os concelhos (municípios) de
Monção e
Melgaço podem por na etiqueta da garrafa o nome da casta
Alvarinho. A partir da campanha 2020/21, os outros produtores poderão
utilizar o nome
Alvarinho no rótulo da garrafa.
Vinhos Verdes
Ainda sobre este verdadeiro tesouro do Minho, o autor do Guia citado sublinha que o vinho verde "oscila normalmente entre 8 a 10 graus" e que
em algumas ocasiões "é um pouco espesso e áspero". Afirma ainda que em certas zonas "o vinho verde tem a leveza do clarete e certa delicadeza
do vinho de missa". Já é uma santa bebida!
Por fim, afirma que "o melhor vinho branco, por via da regra, é de bica aberta; engarrafado em janeiro, com uma pitada de açúcar cândi que,
como bebida de veraneio, "vale dez vezes a melhor cerveja" (ibid.).
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