Douro e Literatura
Mesão Frio
Vinho do Porto, Vinhos do Douro, Douro Vinhateiro
Nas
terras do Douro, tudo nos surpreende. A hospitalidade de suas gentes, do trabalhador das vinhas aos donos
de belas quintas, sempre a nos acolher com um convite à provar de um delicioso copo do autêntico vinho do Douro, o seu vinho.
Romances, ensaios, poesias, documentários... Vários caminhos para mostrar, descrever e narrar as belezas desta terra que não
cansa de encatar aqueles que a visitam.
O Douro na Literatura
O Douro e as colinas que contemplamos com espanto também inspiraram muitos escritores. "A beleza inigualável do Douro apurou
a veia criativa de ilustres poetas e escritores, servindo de fonte de inspiração, entre outros, a Guerra Junqueiro, Miguel
Torga, Eça de Queirós e João de Araújo Correia", entre outros.
Douro e a Literatura, Alto Douro Trás-os-Montes © / Internet
As belas paisagens do Douro são descritas com grande riqueza de detalhes nas obras desses autores. "Nas suas obras, a apologia.
à fecunda terra duriense e à força do trabalho das suas gentes está sempre patente, permitindo-nos igualmente descobrir esta
encantadora região através da leitura. Imagine-se numa tarde soalheira, com uma das obras literárias destes autores numa mão
e um cálice de vinho do Porto na outra, sentado à beira de uma piscina com vista sobre os vinhedos perfeitamente dispostos nas
encostas verdejantes… Que imagem paradisíaca! [CM Mesão Frio]
O Douro em Poesia
O poeta e escritor A.M. Pires Cabral conta, em poesia, suas impressões de uma viagem de barco que fez entre o Porto e
Barca de Alva. O livro de poesias em questão recebeu um prêmio (o Prêmio D. Dinis) na ocasião da comemoração dos 250
anos da criação da RDD - Região Demarcada do Douro. Como o autor mesmo diz, o livro de poesias foi "o rescaldo de uma
viagem de barco no Douro, entre o Porto e Barca de Alva, em Setembro de 1999" (entrevista ao jornal O PÚBLICO, 9/7/2006).
Na ocasião, A.M. Pires Cabral fala de algumas de suas impressões sobre o Douro: "Da nostalgia de ver o rio antigo, com
uma alma muito mais vincada, que tinha quase uma psicologia. Hoje em dia, o Douro é um espelho de água, mas eu continuo
a vê-lo, por um lado, como uma região paisagisticamente ímpar, por outro, como resultado do trabalho insano de gerações e gerações de homens...
Pagos a "malgas de caldo", como escreveu.
Exactamente. A gente vai ao Douro e extasia-se diante da paisagem e às vezes não pensa que por detrás está o suor de
milhares de pessoas. Pessoalmente, nunca me consigo abstrair disso" (idem).
E também nos fala de como todo este milagre aconteceu: "No poema "Douro, SA", fala dos três sócios que construíram o
Douro - Deus, o inglês e o indígena - e da desigualdade na recolha dos dividendos...
Se calhar não podia ser de outra forma. Precisámos de Deus, da mãe natureza, do talento do inglês, que disse como as coisas
deviam ser feitas, e do rústico local, que executou esse plano. Mas temos a obrigação de olhar para os mais desprotegidos
e atenuar a diferença que existe" (ibid.).
Continua o autor a falar da sua realação com esta dualidade que existe no Douro: "o confronto entre o Douro daqueles que o
fizeram e o Douro daqueles que o usufruem. Eu sou as duas coisas. Encarno, vivo e admiro o esforço de quem fez o Douro,
mas também gosto de o gozar, de estar numa quinta e beber um bom cálice de vinho do Porto. É a natureza dúplice do Douro"
(ibid.).
Assim é o Douro
Assim é o Douro. Por trás de tanta beleza há muito trabalho e suor daqueles que o fizeram (e fazem). A outra face, é o
Douro que desta forma trabalhado se perpetua para que o possamos contemplar.